terça-feira, 7 de maio de 2013

Diminuição da maioridade penal

         

         Depois de tanto tempo sem passar aqui, nem vou tentar perder vosso tempo para me justificar. Acabei de ver uma postagem pelo Facebook, que já estava até então um pouco "abafada" e que veio a tona novamente com um caso de estupro que envolveu um jovem de 16 anos e a vítima dentro de um ônibus no RJ. A questão que voltou a tona foi a da diminuição da "maioridade penal" de 18 para 16 anos que, desde o começo deste ano, virou motivo de apelo pelo sociedade. Eu não tenho tanto apreço por assuntos polêmicos como este, pois vejo que as justificativas se perdem no meio de tantos fatos isolados e sem sentido. Mas enfim, logo que vi essa questão reaparecer me senti no direito de expressar um ponto de vista contrário a da maioria que concorda com essa drástica alternativa. A minha opinião é de que não é sensato achar que o simples fato de diminuir a maioridade penal para 16, vai solucionar o problema da impunidade aos jovens criminosos. Convenhamos que cadeia não é lugar de se educar ninguém e querer colocar um jovem num lugar como esse com o objetivo de se fazer justiça, só vai piorar a sua condição futuramente e, pior ainda, criar um adulto muito mais perigoso.
          Tentem esquecer por um instante do crime que determinado jovem cometeu e passem a pensar nas condições que o levaram a isso: pobreza, desespero, ignorância e falta de perspectivas melhores aliadas a única e muita vezes fácil alternativa de se optar pelo mundo do crime. Agora imaginem esse mesmo jovem sendo condenado a passar 5 e poucos anos na cadeia e conviver com outros tantos marginais e doentes que, durante todo o seu período lá, serão sua única referência e companhia. Depois disso, reflitam... esse jovem terá outra visão de mundo e será capaz de melhorar como pessoa ou não pensará duas vezes em se enredar novamente na criminalidade? Sabemos de que há casos de presidiários que uma vez na cadeia e libertos de lá, se condicionam a melhorarem suas vidas para nunca mais ter que retornar. Só que a questão aqui é muito mais delicada, pois não estamos falando de um adulto de fato e sim de um ser ainda em formação, com uma mente fragilizada e suscetível ao erro. A solução não é o que devemos fazer com os jovens de hoje e sim o que temos que fazer com os que estão vindo agora. A cadeia é o último recurso pelo qual nós devemos recorrer,  pois se investirmos numa educação melhor... não concordam que dificilmente encontraremos crianças e jovens infratores? Não estou querendo justificar que não se deva haver justiça nestes casos, mas precisamos e temos que fazer pesos e medidas...
          Se for mesmo aceito a maioridade penal para 16, mais fácil para os políticos.. mais perigoso para nós! Afinal, o que são uns presidiários a mais numa cadeia superlotada (além de outros tantos "benefícios") contra o investimento na infraestrutura educacional? Agrada mais ao povo ver a impunidade sendo paga do que a mudança sendo feita, pois mudança leva tempo e como não é algo que se vê, também não gera voto. Estamos querendo concertar o erro pelos ramos de sua árvore e não pelo solo de sua raiz, com isso o máximo que conseguiremos é podar e embelezar os erros e gerar frutos sem valor. Tudo isso por que a raiz continua sendo alimentada pelo mesmo solo ruim. Acorda Brasil, estamos indo pelo caminho errado!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Armadilhas da mente e do ego




Temos todo o direito (e na verdade, a obrigação) de perseguirmos aquilo que nos faz feliz.  O que temos que ter é apenas cuidado para não cairmos na armadilha da mente e do ego. Ao menosprezarmos aquele que amamos e que nos ama em troca da euforia do início, estamos, relacionamento após relacionamento, desperdiçando a chance de viver relações profundas e significativas. E então, é possível constatar que não amamos o outro – amamos em primeiro lugar o nosso ego. Não conseguimos resistir à tentação do jogo da conquista, do flerte, do nosso poder de dominarmos as pessoas. Enganados pelas peripécias da mente, dispensamos nossos amores por acharmos que o que tem lá fora é sempre mais interessante.

O irônico é que o jogo de conquistas, assim como o amor quentinho, também cansa uma hora.  E então começamos a lembrar de como era bom ter um cúmplice do lado. De como aquela conchinha era acolhedora. De como o sexo com intimidade era gostoso. De como as conversas eram enriquecedoras. De como o café da manhã compartilhado tinha mais sabor. De como era bom ter alguém pra quem ligar pra contar as notícias boas e as nem tanto. E, adivinha? Saímos mais uma vez em busca daquilo que não temos.

As paixonites já não nos satisfazem mais. Queremos alguém pra chamar de nosso. Nos cansamos dos joguinhos, da insegurança, de não saber o que passa pela cabeça do outro, das baladas, das pessoas que somem sem motivo, dos casos que não dão em nada, dos sexos frígidos. E então, nossa meta passa a ser buscar alguém com quem dividir a cama e a vida. De novo.

O lado bom é que temos o poder de escolha. Quando entendemos que é o amor, e não as manipulações ou as máscaras,  o remédio pra todos os males do mundo, então podemos  nos permitir amar. Sem ansiedade. Sem siricutico. Sem achar que o que dura muito é ruim. Sem a angústia de querer um prato novo em cada refeição. Quando aprendemos a usufruir da calmaria do amor,  nos desalienamos e conseguimos enxergar por trás da névoa perigosa do ego – só então somos finalmente capazes de sair desse ciclo vicioso de amores e dores. E só então podemos ter o prazer de usufruir da única coisa real que temos na vida – o agora.

sábado, 20 de outubro de 2012

Tempos Modernos


A traição sempre aconteceu e não é uma exclusividade dos tempos modernos. Mas hoje, e essa é a frase mais triste que eu poderia dizer sobre esse assunto – é normal. É normal brincar com o coração alheio, a traição já virou rotina, aquela uma vez por semana na balada da quinta-feira, quando é mais fácil dar a desculpa sem imaginação do ‘trabalhei até tarde’. Já ouvi de mais de um amigo o conselho – não importa se ele disse que vai almoçar com a mãe, se vai no futebol ou fazer cerão no escritório: se ele não está com você, ele está te traindo.
Isso, meus amigos, é porque somos uma geração de covardes. Trair é almejar um estilo de vida que você não tem colhões para assumir. Não existe nada de errado em comer uma por noite, se é isso o que você quer. A parte cruel, a parte que realmente determina que seu caráter é praticamente inexistente, é manter uma pessoa ali por segurança. É brincar com as expectativas, com os sentimentos daquele único cara que se importou o suficiente para ficar.
Agora me diz: em que ponto da nossa vida nos tornamos completos idiotas sem compaixão? Estúpidos sem qualquer sentimento de identificação e simpatia com o outro a esse grau? É aí que entra o problema de uma geração inteira de homens e mulheres que hoje têm entre 25 e 35 anos. Ninguém mais se assume. O mundo está mais me parecendo uma grande sala da mãe, em que as crianças continuam ocupadas em quebrar o vaso preferido dela e esconder debaixo do sofá para que ninguém descubra.
by  @vanamedeiros

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A morte

         
           A maioria das pessoas não esta pronta para morte, a sua ou a dos outros. Ela as choca, as apavora. É como uma grande surpresa. Diabos, não deveria ser nunca. Levo a morte em meu bolso esquerdo. Às vezes, tiro-a do bolso e falo com ela: "Oi, gata, como vai? Quando vira me buscar? Vou estar pronto".
           Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam as suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. [...]

Charles Bukowski 

domingo, 16 de setembro de 2012

Não sou poucos...


Não são poucos os que morreram e que ainda morrerão sem nunca ter se entregue a um amor de verdade. Do tipo que te faz contrariar todos os seus falsos princípios, moralismos ou preconceitos que a bem da verdade, nunca te fizeram, ou o farão um dia mais feliz. Aquele do tipo que te faz sentir-se levado pela força mística, incontrolável de um amor arrebatador.

domingo, 26 de agosto de 2012

Give me Love


 
Give me love like never before,
'cause lately I've been craving more,
And it's been a while but I still feel the same,
Maybe I should let you go,
You know I'll fight my corner,
And that tonight I'll call you,
After my blood is drowning in alcohol,
No I just wanna hold you.
 
Ed Sheeran 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Transição




De uns tempos pra cá, as pessoas tem chegado até a mim para me dizer que estou diferente. Comentários como "ah, você não parece mais a mesma" ou "você parece ter mudado" se tornaram frequentes ultimamente. E o mais estranho de tudo isso é que eu também estou percebendo essa mudança. Eu me olho no espelho e não vejo mais aquela menina "fofinha", abobada e exibida... eu vejo uma mulher. Meu rosto, meu corpo e meu jeito de ser amadureceram, estou com apenas 19 anos e não imaginava que essa transição para a fase "adulta" estaria tão visível para mim e mais ainda para aqueles que me conhecem. Não sei se devo sentir um pouco de receio disso ou devo encarar numa boa, por que afinal de contas eu não quero deixar de ser quem eu sou. Passei a ser mais crítica e menos fora da realidade. Sinto uma sede de mudança incomparável, quase como se estivesse querendo fazer tudo ao mesmo tempo, como se o relógio não acompanhasse minha vontade de crescer. Não sei até onde isso vai dar e nem quão grande serão os resultados dessa mudança, pois embora isso esteja ocorrendo de forma gradual... as consequências poderão vir só mais tarde. Tomara que tudo se ajeite...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Batman vive!

 Aquele rapaz de 24 anos, aluno de doutorado em neurociências numa universidade dos Estados Unidos, que se mascarou de Batman e, num cinema, disparou a esmo com um fuzil automático, o que é, afinal? Um demente que matou 12 pessoas (entre elas uma criança de seis anos e a mãe grávida) e feriu 58? Ou mais um demoníaco personagem na extravagante história de crimes naquele país? Prevê a imprensa norte-americana que ele será sentenciado à morte, até mesmo para intimidar eventuais imitadores, mas de onde ele absorveu tanta maldade? De onde surgiu o horror?

Seu mestre não pode ter sido Batman. O Homem Morcego (como diziam os quadrinhos dos anos 1940) é um herói, um justiceiro humanista em luta contra o mal, nunca um vingador do absurdo ou um assassino voraz. Mas Batman é uma das fantasias do bem que povoam um mundo real de dura competição num país fundado na violência, que exterminou quase toda a população nativa, que se armou e guerreou sempre, que invadiu o vizinho México e anexou as partes mais ricas do território só porque lá abundava o petróleo. Aurora, no Estado do Colorado, é uma dessas antigas vilas mexicanas, agora tristemente universalizada pela tragédia.

Esses crimes em que o assassino nem conhece as vítimas e mata por matar têm sido comuns nos EUA. Até o assassinato coletivo de um ano atrás, na Suécia, foi diferente: o criminoso era um direitista que matou para protestar contra o governo socialista por aceitar imigrantes negros.

Qualquer dia, nos EUA, até o ratinho Mickey sai a caçar humanos ao acaso! Lá, vendem-se armas em qualquer lugar, como aqui se vende refrigerante. Por trás do moço de Aurora há mais de dois séculos de violência habitando o inconsciente coletivo. As centenas de milhares de civis mortos em Hiroxima e Nagasaki pelas bombas atômicas dos EUA compõem o quadro moderno da violência em que matar não é crime, mas “defesa”. Na África e no Oriente, diferentes governos e empresas dos EUA alimentam a morte vendendo armas e fomentando a rivalidade entre grupos étnicos.

Os EUA tornaram-se superpotência especializando-se na arte de matar e destruir. A bomba de nêutrons foi a simbiose do militarismo e do capitalismo: mata as pessoas, preservando os bens, como se isso servisse aos mortos... Toda a grande pesquisa tecnológica está centrada nas armas e destinada a destruir. Só depois de provada na morte, começa a ser aplicada à vida. Até a internet (a maravilha que aproximou o mundo) nasceu da necessidade de controlar o cosmos na Guerra Fria. A precisão da eletrônica, dos foguetes teleguiados que percorrem de um a um os cômodos de uma casa, desenvolveu-se para destruir. Foi provada, primeiro, na Guerra do Golfo e, anos depois, ampliada no Afeganistão e no Iraque.

Nem essa sofisticação, porém, evita que centenas de milhares de civis, crianças inclusive, sejam mortos pelas tropas dos EUA nesses dois países, por “erro técnico” ou simples “vingança”. Ninguém é responsabilizado por isto.

Na era moderna, a tecnologia é que mata. O combate corpo a corpo, à baioneta ou fuzil, é velharia da Segunda Guerra ou, hoje, coisa de africanos e asiáticos. Agora, aperta-se um botão e se cumpre o que o computador ordena diretamente da White House ou do Pentágono. Matam-se civis “em defesa” dos que guerreiam.

Tudo parece magia, como nas andanças de Batman. O selo do poder faz de quem mata um herói. Por que pensar, então, que o mocinho de Aurora é só um demente? Por que não pensar, também, que a História do seu país lhe serviu de guia e que, na loucura, nem veja que escureceu a luminosidade da aurora?

 
 Flávio Tavares - Jornalista e escritor